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quarta-feira, 9 de setembro de 2015
susPENSO susPIRO
Ali parado suspenso
Com tempo dado, suspiro
Calado comigo, vivo
Suspenso parado ali
Suspiro dado com tempo
Vivo comigo calado
No muro mais um pedaço
#FOTO Ana Divino
#FALADA Thiago Lima
Olhar de cima
O olhar de cima,
vê de fora , de longe,
dimensão de muitos detalhes ,
inúmeras peças funcionando em seu tempo,
quanta vida, quantos sóis nas janelas,
muitos amores, tantas ideias,
quantos aluguéis , quantas descargas,
não faltam olhares,
linhas retas de uma cidade torta ,
ou será só uma grande mancha
com manchas de todas as cores
#FOTO Sueliton Lima
#FALADA Guilherme Colla
vê de fora , de longe,
dimensão de muitos detalhes ,
inúmeras peças funcionando em seu tempo,
quanta vida, quantos sóis nas janelas,
muitos amores, tantas ideias,
quantos aluguéis , quantas descargas,
não faltam olhares,
linhas retas de uma cidade torta ,
ou será só uma grande mancha
com manchas de todas as cores
#FOTO Sueliton Lima
#FALADA Guilherme Colla
Entre Vista
Daqui de dentro crio
Um eu, um tu, um todo
Sem mesmo abrir os olhos vejo
Desejo ser, e que seja
A janela ainda fechada permite
Que o externo esteja como desejo
E com medo das frestas recuo
Mas logo recrio, levanto, caminho
Olho fresta a fresta
Escolho, decido e abro
Os olhos
Pois a janela decido manter fechada
E acreditar que ela me guarda um horizonte
De montanhas em céu com núvens
Para minha liberdade de um amanhã
#FOTO Carmen Magalhães
#FALADA Thiago Lima
Com Sumir
Com instinto colocado à 'mim', consumo
Para noites de sonos preencher, sonho
Por dias e à dias a viver, creio
Entre meses e à anos a passar, insisto
Quando ouso que penso a saber, engano
Desvio e me pego a achar, me perco
Por perguntas e respostas a falar, não ouço
E tudo me leva a desejar, um pouco
#FOTO Zé Jabur
#FALADA Thiago Lima
Com Verso
Falo, aqui, acolá, contigo, com outro, digo, mas também escuto, ouço atentamente, e se convir reproduzo, histórias vividas ou inventadas preenchem os meus dias e me prendem a vós, que volta, dias e anos passam e continuamos dizendo, escutando, reproduzindo ou não histórias de tempos vividos ou sonhados, no humilde exercício de existir, como versar entregamos-nos ao tempo
#FOTO Clara Giannelli
Sonâmbula
Sonâmbula, imóvel naquele ruído. Olhos fartos da absorção do mundo. Obscenos, recentes no suspiro, na flacidez, e nos lugares comuns. Fixos em sombras, sobras e barreiras, suas demoras e sorrisos decaídos. Maquinarias e seus torpores, enferrujados pela viciosa imagem do sentido. A luz caída sem jeito. Amassada, ambígua, mesquinha. Aninhada aos rostos embaçados cheirando a fósforos e ancoras. Uma crença em raiz, embaraçada, continua e entregada as persianas. Mantinha ordinário murmúrio de pálpebras, ilusões em desalinho e brasas. Poses estancadas que chiavam, clandestinas e fixas. O transito ignorado como um sonho. Atenuada e indefinida naquela inércia que desnatura.
Sujeito Homem
Sujeito homem
na roda do tempo se perdeu
deslocou seu centro
tornou-se efêmero.
Sujeito oblíquo
nas incertezas se indefiniu
distorceu seu eu
tornou-se híbrido.
Sujeito errante
na busca de si se inquietou
desconstruiu sua estória
fragmentou-se.
Sujeito fluido, flutuante,
multiplica-se.
Instantâneo, imediatista,
fragiliza-se.
Denso e preso a si
se desencontra.
Instável, estranho e só,
se contradiz.
É vazio, onde tudo e nada cabe.
#FOTO Sueliton Lima
#FALADA Ciça zanetti
POR NA GRAFIA (IN PULSO LEVADO)
Vermelho
Horizonte vermelho, os vultos
De postes viram devaneios tortos
Visões de pecados do passado?
Seriam cadafalsos de enforcados
ou ladrões e Cristo crucificado?
Tropas e putas empalados
Fogueiras? Feiticeiras amarradas?
Esqueletos de pipas penduradas
Desafiam como se fossem esfinges
"Qual o carma, quais as dívidas?"
"Fostes vítimas, fostes algozes?"
#FOTO Sueliton Lima
#FALADA Alexandre Grings
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